Há muitas décadas tem sido comum no Brasil copiar o que acontece nos Estados Unidos. Isso acontece em todas as áreas e não seria diferente na arquitetura e no urbanismo. Assim, ao longo da segunda metade do século passado “importamos” uma série de coisas, na esperança de elevar o nosso status como país pela adoção de práticas associadas à maior noção do mundo. Foi assim com os edifícios tipo “caixa de vidro”, na origem associados ao poder das grandes corporações multinacionais, com as comunidades muradas, com a suburbanização – ou seja, o afastamento dos centros urbanos – e com a prática de vestir edifícios contemporâneos com elementos históricos.
Dois fatos acompanham essas importações: acontecem sem maiores adaptações às condições locais e normalmente muito tempo depois de terem surgido por lá, quando já começam a ser rejeitadas na sua origem. Se poderia acrescentar que as importações são feitas de modo acrítico, sem avaliar o seu impacto a médio e longo prazo, coisa que é natural em um tipo de sociedade que vive olhando para o próprio umbigo e cujo objetivo é quase sempre o lucro imediato.
Agora surge nos Estados Unidos algo que mereceria ser importado, mesmo que venha de encontro a algumas importações anteriores. Se trata de um movimento que visa corrigir alguns dos muitos problemas dos subúrbios residenciais, que a partir das preocupações com sustentabilidade urbana têm se mostrado inteiramente deficientes.
Uma das medidas sendo tomadas visa encorajar a criação de bairros em que se possa fazer várias atividades caminhando. Para que isso seja possível as ruas devem ter continuidade e fazer parte de uma rede viária que conecte cada setor com as demais áreas residenciais e comerciais. Na imagem abaixo pode-se ver um típico exemplo de conjunto residencial suburbano, em que há somente uma conexão com uma via coletora, sendo impossível sair de lá sem tomar essa via. O que para muitos pode parecer uma vantagem é na verdade um problema que compromete a qualidade de vida no bairro.
Dois fatos acompanham essas importações: acontecem sem maiores adaptações às condições locais e normalmente muito tempo depois de terem surgido por lá, quando já começam a ser rejeitadas na sua origem. Se poderia acrescentar que as importações são feitas de modo acrítico, sem avaliar o seu impacto a médio e longo prazo, coisa que é natural em um tipo de sociedade que vive olhando para o próprio umbigo e cujo objetivo é quase sempre o lucro imediato.
Agora surge nos Estados Unidos algo que mereceria ser importado, mesmo que venha de encontro a algumas importações anteriores. Se trata de um movimento que visa corrigir alguns dos muitos problemas dos subúrbios residenciais, que a partir das preocupações com sustentabilidade urbana têm se mostrado inteiramente deficientes.
Uma das medidas sendo tomadas visa encorajar a criação de bairros em que se possa fazer várias atividades caminhando. Para que isso seja possível as ruas devem ter continuidade e fazer parte de uma rede viária que conecte cada setor com as demais áreas residenciais e comerciais. Na imagem abaixo pode-se ver um típico exemplo de conjunto residencial suburbano, em que há somente uma conexão com uma via coletora, sendo impossível sair de lá sem tomar essa via. O que para muitos pode parecer uma vantagem é na verdade um problema que compromete a qualidade de vida no bairro.
Muitas prefeituras estão estipulando regras que dificultam esse tipo de urbanismo, tornando praticamente inviável o uso de ruas sem saída, que no jargão urbanístico são chamadas em todas as partes de cul-de-sac.
Com isso estão reconhecendo oficialmente a ineficiência de um modelo de cidade espalhada e segregada, que leva a custos muito maiores de infra-estrutura e a altos níveis de poluição e consumo dos bens naturais, por exigir o uso permanente do automóvel – é comum que cada família residente nos subúrbios americanos tenha um carro por membro habilitado a dirigir.
Em postagens anteriores já critiquei a cidade segregada e fiz elogios aos bairros tradicionais mas gostaria de voltar ao assunto enfocando de outro modo o problema da segregação. Além de todos os problemas já mencionados de viver em um gueto, há um custo humano enorme a ser pago. Nas famílias que decidem viver em comunidades fechadas ou subúrbios longínquos – ambos quase sempre servidos por transporte público ineficiente – os jovens em idade inferior à mínima para dirigir e os idosos que não querem/podem mais dirigir se tornam dependentes de outras pessoas para se locomoverem. Uma consequência disso é o sacrifício profissional de um dos membros do casal, que se torna motorista não remunerado. Outra é a necessidade inescapável de possuir mais de um automóvel e de até contratar um motorista particular. O resultado final de situações como essa é uma baixa qualidade de vida, não importando se quem está envolvido nelas tem alto poder aquisitivo, que é muitas vezes o caso.
Portanto, aí está algo que poderíamos importar dos Estados Unidos e que resultaria em benefícios perceptíveis para a qualidade de vida de muitos brasileiros.
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Com isso estão reconhecendo oficialmente a ineficiência de um modelo de cidade espalhada e segregada, que leva a custos muito maiores de infra-estrutura e a altos níveis de poluição e consumo dos bens naturais, por exigir o uso permanente do automóvel – é comum que cada família residente nos subúrbios americanos tenha um carro por membro habilitado a dirigir.
Em postagens anteriores já critiquei a cidade segregada e fiz elogios aos bairros tradicionais mas gostaria de voltar ao assunto enfocando de outro modo o problema da segregação. Além de todos os problemas já mencionados de viver em um gueto, há um custo humano enorme a ser pago. Nas famílias que decidem viver em comunidades fechadas ou subúrbios longínquos – ambos quase sempre servidos por transporte público ineficiente – os jovens em idade inferior à mínima para dirigir e os idosos que não querem/podem mais dirigir se tornam dependentes de outras pessoas para se locomoverem. Uma consequência disso é o sacrifício profissional de um dos membros do casal, que se torna motorista não remunerado. Outra é a necessidade inescapável de possuir mais de um automóvel e de até contratar um motorista particular. O resultado final de situações como essa é uma baixa qualidade de vida, não importando se quem está envolvido nelas tem alto poder aquisitivo, que é muitas vezes o caso.
Portanto, aí está algo que poderíamos importar dos Estados Unidos e que resultaria em benefícios perceptíveis para a qualidade de vida de muitos brasileiros.
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