AMPLIANDO REPERTÓRIOS: A CASA BREUER


Embora a arquitetura moderna brasileira seja conhecida internacionalmente pela sua qualidade desde a écada de 1940 –-não é à toa que dois dos nossos arquitetos receberam o maior prêmio da área, o Pritzker— a sua aplicação no âmbito residencial ainda encontra fortes resistências, especialmente no Rio Grande do Sul.

Adjetivos como frieza, abstração, entre outros, são às vezes empregados em relação à casas e apartamentos modernos. Não vou negar que as criticas nem sempre são infundadas, nem tentar argumentar desde um ponto de vista teórico. Isso só chatearia meus poucos leitores. Prefiro contrapor bons exemplos de arquitetura moderna, com o propósito de esclarecer mal-entendidos e auxiliar os interessados a ampliar o seu repertório.

Mas, antes disso me parece importante tecer duas considerações sobre a arquitetura moderna. Ao contrário do que muitos pensam, a modernidade em arquitetura não é um estilo, que leva a edificações parecidas entre si porque utilizam os mesmos elementos e cores. Se fosse assim, a arquitetura moderna já estaria morta e enterrada.

A arquitetura moderna é um modo de proceder em que a forma final não surge da imitação de exemplos do passado, mas do próprio problema a ser resolvido pelo arquiteto. Ou seja, o objeto final é uma resposta à vários aspectos específicos, como as necessidades do cliente, o lugar onde será construido, as possibilidades construtivas, etc.

E, por último, a arquitetura moderna se caracteriza por uma economia de meios –utilizar o menor número possível de elementos possível para resolver qualquer problema— que só beneficia os usuários: seus espaços calmos, pouco ornamentados e simples são um receptáculo perfeito para as preferências do usuário, que deles se apropria mobiliando-os e colocando aqueles objetos que lhe são caros.

O exemplo desta semana é a casa do arquiteto Marcel Breuer (1902-1981), construida em 1939 (!!!), em Lincoln, MA, EUA. Embora tenha quase 60 anos, essa casa ainda parece contemporânea, como acontece com todos bons exemplos desse tipo de arquitetura. As imagens mostram a sala de estar, caracterizada por ter a altura de um pé-direito e meio, abrir-se para a vista por meio de uma parede quase totalmente envidraçada e materiais normalmente associados com sensações de aconchego, como a pedra e a madeira.

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OBS.: Comentários são muito bem vindos e será um prazer respondê-los mas, por favor, identifique-se, para eu poder saber com quem estou me comunicando.

3 comentários:

TO disse...

bom lugar onde se pode ter uma casa assim. para cá precisa de um paredão de elementos de segurança: grades, tampos, ou mucho money para contratar uma rudder ou stv da vida

tudo iss interferências perturbadoras

Priscila disse...

Olá, sou estudante de arquitetura, moro em Curitiba e li seu artigo "O poder tranformador da Luz" na revista Arquitetura e Construção, edição de julho. Eu concordo com o que você destacou nesse artigo, os arquitetos estão esquecendo do "mundo exterior" , que na verdade deve ser integrado a arquitetura. Só gostaria, então, de parabenizar esse seu trabalho, conscientizar as pessoas do que verdadeiramente é a arquitetura.

Priscila

Giovani Barcelos disse...

Prof. Mahfuz, uma das melhores coisas da arquitetura moderna é a sua, sempre, contemporaneidade. Parabéns pelo texto.